30 de outubro de 2009

Amigo Ingrato

Amigo Ingrato

Causa-te surpresa o fato de ser o teu acusador de agora, o amigo aturdido de ontem, que um dia pediu-te abrigo ao coração gentil e ora não te concede ensejo, sequer, para esclarecimentos.

Despertas, espantado, ante a relação de impiedosas queixas que guardava de ti, ele que recebeu, dos teus lábios e da tua paciência, as excelentes lições de bondade e de sabedoria, com as quais cresceu emocional e culturalmente.

Percebes, acabrunhado, que as tuas palavras foram, pelo teu amigo, transformadas em relhos com os quais, neste momento, te rasga as carnes da alma, ele, que sempre se refugiou no teu conforto moral.

Reprocha-te a conduta, o companheiro que recebeste com carinho, sustentando-lhe a fragilidade e contornando as suas reações de temperamento agressivo.

Tornou-se, de um para outro momento, dono da verdade e chama-te mentiroso.

Ofereceste-lhe licor estimulante e recebes vinagre de volta.

Doaste-lhe coragem para a luta, e retribui-te com o desânimo para que fracasses.

Ele pretende as estrelas e empurra-te para o pântano.

Repleta-se de amor e descarrega bílis na tua memória, ameaçando-te sem palavras.

*

Não te desalentes!

O mundo é impermanente.

O afeto de hoje torna-se o adversário de amanhã.

As mãos que perfumas e beijas, serão, talvez, as que te esbofetearão, carregadas de urze.

*

Há mais crucificadores do que solidários na via de redenção.

Esquecem-se, os homens, do bem recebido, transformando-se em cobradores cruéis, sem possuírem qualquer crédito.

Talvez o teu amigo te inveje a paz, a irrestrita confiança em Deus, e, por isto, quer perturbar-te.

Persevera, tranqüilo!

Ele e isto, esta provação, passarão logo, menos o que és, o que faças.

Se erraste, e ele te azorraga, alegra-te, e resgata o teu equívoco.

Se estás inocente, credita-lhe as tuas dores atuais, que te aprimoram e te aproximam de Deus.

*

Não lhe guardes rancor.

Recorda que foi um amigo, quem traiu e acusou Jesus; outro amigo negou-O, três vezes consecutivas, e os demais amigos fugiram dEle.

Quase todos O abandonaram e O censuraram, tributando-Lhe a responsabilidade pelo medo e pelas dores que passaram a experimentar. Todavia, Ele não os censurou, não os abandonou e voltou a buscá-los, inspirá-los e conduzi-los de volta ao reino de Deus, por amá-los em demasia.

Assim, não te permitas afligir, nem perturbar pelas acusações do teu amigo, que está enfermo e não sabe, porque a ingratidão, a impiedade e a indiferença são psicopatologias muito graves no organismo social e humano da Terra dos nossos dias.

* * *

Franco, Divaldo Pereira. Da obra: Momentos de Felicidade.
Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Salvador, BA: LEAL, 1990.

27 de outubro de 2009

Link super útil....

Este link é altamente instrutivo, principalmente porque nos leva a refletir e tirar nossas próprias conclusões referentes aos autores que diariamente editam livros "renovando a doutrina".
Que tenhamos elementos doutrinários suficientes para estudar e aprender e não somente criticar...

http://www.orientacaoespirita.org/critica.htm

12 de outubro de 2009

Relações Humanas no Centro Espírita

Xerxes Pessoa de Luna

Na dinâmica de funcionamento de uma Instituição Espírita, um dos elementos fundamentais a ser considerado é, indubitavelmente, o relacionamento humano interpessoal de seus integrantes, pois sendo a Casa Espírita um ambiente de paz, fraternidade, concórdia e amor, está a exigir de todos nós uma postura comportamental compatível com estes requisitos, a fim de que suas finalidades junto à criatura humana não venham a ser comprometidas por qualquer tipo de desarmonia. A ausência de testemunho, neste sentido, poderá abalar a unidade da Instituição, além de enfraquecer a ação transformadora espírita desenvolvida pela Casa; daí devermos envidar todos os esforços no sentido de que nossa convivência com os companheiros de jornada se faça sempre de forma saudável, pois é inconcebível que, por questões de ordem pessoal, muitas vezes motivadas pelo orgulho e a vaidade, comprometamos os bons serviços prestados pela Casa junto a nossos irmãos encarnados e desencarnados.

Sabemos que todos os trabalhadores de um Centro Espírita são criaturas animadas do desejo comum de bem servir à causa do Cristo à luz dos preceitos espíritas, entretanto, também é sabido que cada um traz consigo suas realidades e experiências individuais e isto, por vezes, constitui motivo de discordância no grupo de trabalho. Todavia, na qualidade de espíritas, deveremos estar atentos para o fato de sermos cada um de nós seres em diferentes faixas evolutivas e que estas diferenças são situações naturais que não devem servir de pretexto para nos separar e sim para nos unir em nossos propósitos de crescimento individual e coletivo, na medida em que nos auxiliamos uns aos outros. Neste sentido o exercício da paciência, da humildade, do respeito aos sentimentos alheios, do controle emocional, da cortesia, da disciplina e de tantos outros valores nobres da alma humana se faz imperativo.

É muito natural que num grupo de trabalho as pessoas discordem, contudo, essas discordâncias devem contribuir para o crescimento do grupo e não para seu esfacelamento. Se assim agirmos aboliremos de uma vez por todas, nessas ocasiões, as figuras dos vencidos, dos vencedores e dos melindres, pois que prevalecerá o bom senso, a unidade da Casa e a coerência doutrinária. Nos momentos em que os conflitos se fizeram inevitáveis, mantenhamos a serenidade, a ética e o respeito humano, buscando sempre, no diálogo, o entendimento, a concórdia e, acima de tudo, mantenhamo-nos fiéis à causa e à Casa que nos acolhe, preservando-as sempre de quaisquer danos. Atentemos para o conselho do apóstolo Paulo (Efésios, 4:1-3):

"Exorto-vos a que leveis uma vida digna da vocação a que fostes chamados, com toda humildade, mansidão e paciência. Suportai-vos uns aos outros na caridade. Esforçai-vos por preservar a unidade do Espírito no vínculo da Paz."

Urge que nós, espíritas, paremos e reflitamos acerca da forma de nos relacionarmos uns com os outros em nossas Instituições. Não nos esqueçamos de que a reforma cristã do homem é a grande meta espírita. Fazê-lo feliz, justo, fraterno, amoroso e bom consigo mesmo e com seu semelhante é o objetivo de toda Casa Espírita; daí devermos envidar todos os esforços no sentido de que em nossas searas de trabalho o clima de convivência humana esteja sempre em consonância com tão nobres propósitos doutrinários a fim de que Nosso Senhor Jesus-Cristo, ao chegar, encontre a obra pronta.

Papel do Centro Espírita

Centro Espírita

É uma unidade basilar, como verdadeira célula da ação programática do Movimento Espírita, constituindo-se não só como um educandário de Espíritos, mas também como um atuante templo de orações e de fraterna vivência evangélica, através de uma conjugação de atividades beneméritas. É a abençoada instituição de cultivo do amor entre as criaturas encarnadas e desencarnadas, um santuário de reeducação espiritual.

Podemos imaginar este núcleo educativo e posto de socorro (...) na complexidade de uma usina e laboratório, hospital e escola, núcleo de pesquisas e célula de experiências valiosas, onde o coração e o cérebro se entreguem a inadiáveis tarefas de abnegação e fraternidade, de equilíbrio e união, de estudo e luz. (...)

É também um (...) posto de socorro espiritual e material (...)acolhendo (...) desde a criança (...) até os velhos, necessitados ou não de assistência e fraternidade. É templo, é casa de oração, é recanto de paz, acolhendo os desesperados, os angustiados, os revoltados. (...)

É uma alegria constatar que, no Brasil, o idealismo, o anseio da prática da caridade em seus multiformes aspectos e a firme vontade de propagar a Doutrina têm sido as alavancas propulsoras da fundação e sustentação das instituições espíritas. (...)

O papel que o Centro Espírita deve desempenhar é primordialmente o de operar a propagação da Doutrina Espírita para a renovação do homem, integrando-o no grupo familiar, com vistas ao progresso moral e espiritual da sociedade. (...) Como escolas de formação espiritual e moral que devem ser, desempenham papel relevante na divulgação do Espiritismo e no atendimento a todos os que nele buscam orientação e amparo. (...)

Cabe ao Centro Espírita, ainda, a responsabilidade (...) de mobilizar todos os recursos possíveis à instrução, orientação, alertamento e educação dos encarnados, seja na infância, na mocidade, na madureza ou na velhice, a fim de que se desincumbam com êxito de suas tarefas. (...)

Incumbe-lhe mais a atribuição de promover, em clima de harmonia, a Unificação. Recomenda o opúsculo Orientação ao Centro Espírita, que todo o Centro deve se unir com o propósito de confraternização, permutando experiências para o aprimoramento das próprias atividades e das realizações comuns. A este propósito, estarão os Centros observando a própria orientação sugerida por Kardec ao escrever. (...) Esses grupos, correspondendo-se entre si, visitando-se, permutando observações, podem, desde já, formar o núcleo da grande família espírita, que um dia, consorciará todas as opiniões e unirá os homens por um único sentimento: o da fraternidade, trazendo o cunho da caridade cristã.(...)

Da relevância das suas atribuições, da magnitude da sua missão, através de suas múltiplas atividades atuais, ressalta toda a imensurável e notável importância de seu papel no Mundo Contemporâneo, tão envolto em graves crises e tormentosas convulsões sociais.

Em verdade, ao aplicar a Doutrina, ensinando e promovendo a sua prática pelo exercício contínuo da lei de amor, atendendo aos necessitados, O Centro Espírita estará realizando o que de mais edificante e altaneiro podia alcançar: a evolução moral e espiritual do homem e da Humanidade, conduzindo ambos ao reino de luz, de paz e de bem-estar geral. Por tudo isso, bem se pode aquilatar de sua inestimável e insuperável importância.

O Centro Espírita desenvolve múltiplas realizações agrupadas em atividades básicas, administrativas, de comunicação e de unificação. As atividades que se relacionam com o objetivo da Doutrina são as básicas, discriminadas atualmente em Orientação ao Centro Espírita (obra citada) na seguinte ordem:

01. Promover o estudo metódico e sistemático da Doutrina Espírita e do Evangelho à luz do Espiritismo.

02. Promover a evangelização da criança à luz da Doutrina.

03. Incentivar a orientação da juventude na teoria e na prática doutrinária, integrando-a em suas tarefas.

04. Divulgar a Doutrina Espírita através do livro.

05. Promover o estudo da mediunidade, orientando as atividades mediúnicas.

06. Desenvolver atividades de assistência espiritual, mediante a utilização dos recursos oferecidos pela Doutrina, inclusive reuniões privativas de desobsessão.

07. Manter um trabalho de atendimento fraterno, pelo diálogo, com orientação e esclarecimento às pessoas que buscam o Centro.

08. Promover serviço de assistência social espírita, assegurando suas características beneficentes, preventivas e promocionais.

09. Incentivar e orientar a instituição do Culto do Evangelho no Lar.

Além destas, mais as atividades de ordem administrativa, através do trabalho de equipe, as atividades de comunicação, inclusive divulgação do Esperanto e, afinal, atividades de unificação, conjugando esforços e somando experiências com as demais instituições congêneres da mesma localidade ou região, de modo a evitar paralelismo ou duplicidade de realizações.

Bibliografia: Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996

XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.